Muitas vezes, o preço de um verão mal aproveitado – com excesso de sol e falta de proteção – só é cobrado décadas depois. No campo da dermatologia, uma máxima é levada bem a sério: a pele tem memória.
O dano causado pela radiação ultravioleta não desaparece com o fim do bronzeado ou quando a pele começa a “descascar”. Pelo contrário, ele se acumula silenciosamente nas camas celulares, podendo se manifestar anos mais tarde, seja na forma de envelhecimento precoce ou doenças graves.
Para entender como essa dinâmica funciona, o dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, detalha, à CNN Brasil, os impactos biológicos da exposição desprotegida e as formas de mitigar os danos ao DNA.
O conceito de que a pele “não esquece” as agressões sofridas refere-se às alterações genéticas causadas pelo sol. Segundo o profissional, o perigo começa muito antes da vida adulta.
“Cada exposição solar ao longo da vida deixa marcas celulares cumulativas, mesmo que invisíveis no momento. Na infância, o sistema de defesa da pele ainda está em desenvolvimento, tornando-a mais vulnerável. Queimaduras solares nessa fase aumentam significativamente o risco de câncer de pele na idade adulta, especialmente o melanoma”, alerta.
Muito além de rugas
Ainda que manchas e rugas sejam os sinais mais conhecidos, o dano acumulado altera a funcionalidade e a estrutura da pele de formas mais profundas.
Lucas aponta que a pele castigada pelo sol pode apresentar uma textura áspera e espessada (ceratose actínica), vasos dilatados visíveis e uma fragilidade que leva a hematomas frequentes.
“Em casos mais avançados, surgem lesões pré-cancerosas ou cancerígenas, como o carcinoma basocelular. A pele pode apresentar afinamento e uma tendência a sangramentos mesmo com pequenos traumas”, explica.
É possível reverter esse dano?
De acordo com a ciência moderna, já é possível ir além da estética superficial. Ainda que mutações no DNA não sejam totalmente “apagadas”, há alternativas para estimular a pele a se reparar e evitar a progressão para quadros malignos e cada vez mais graves.
Qual o checklist para quem já tem dano solar?
Para quem já apresenta sinais de exposição excessiva, o cuidado deve ser redobrado para evitar que o quadro evolua para um câncer de pele. Veja abaixo o roteiro básico de proteção e reparação:
Manhã: Protetor solar com FPS alto (e proteção UVA/PPD ≥ 10) e uso de antioxidantes tópicos (Vitamina C ou Niacinamida).
Noite: Agentes renovadores, como retinoides ou alfa-hidroxiácidos, sempre com orientação médica.
Hábito: Reaplicação do protetor solar ao longo do dia e hidratação constante.
Monitoramento: Visitas periódicas ao dermatologista para o mapeamento de lesões suspeitas.
Fonte:
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/como-minimizar-os-danos-da-exposicao-solar-acumulada/